[RP FECHADA] cause & effect

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo

[RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Seg Jun 06, 2016 4:19 am

cause & effect


A postagem ocorre entre Joy e Troye e está FECHADA para qualquer um que não tenha sido convidado pelos membros participantes. Passando-se em um fim de tarde nublado - com risco de chuva -, na enseada de Tidal Basin, Washington DC. O conteúdo é LIVRE. A postagem está EM ANDAMENTO.
© cassie at shine & atf



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Seg Jun 06, 2016 4:41 am

Sugar Baby

Ajax — era este seu verdadeiro nome? — sabia que precisava mudar seu comportamento se quisesse achar sua irmã.

A vida fora de sua prisão era muito diferente e difícil não porque o mundo era frio e cruel e, ó, coitado, era uma criança sofrida, mas porque o mundo era altamente sociável e para piorar, conectado. Era difícil de lidar com aquele tipo de realidade porque cresceu para ser justamente o oposto que era cobrado — foi criado para ter uma alma gelada e o mínimo de sentimentos possíveis.

O mundo nunca pareceu tão temperamental. Todas as vezes que o menino andava pelas ruas via adolescentes histéricos encarando a ela de um celular e justiceiros sociais mantendo estandartes em nome de sabe-se lá que causa. E era incapaz se sentir qualquer coisa. Não conseguia aderir a uma campanha e praticamente nada lhe alarmava. Se sentia frio como um iceberg e o que lhe assustava era sua incapacidade de entrar em pânico diante tal observação.

Chutei a terra com os pés, sujando ainda mais as botas velhas que roubara de um mendigo há algumas semanas. A trilha da busca havia se perdido diante dos seus olhos e, agora, sem pistasse sentia sem rumo, objetivo ou razão para continuar.

Mas havia algo dentro de si, uma maldita fagulha de esperança que não permitia que desistisse. E por mais que a odiasse, não poderia perdê-la. Não queria perdê-la porque, no fundo, sabia que era a única coisa que impedia seu coração de se tornar duro como pedra.

Era a única coisa que o mantinha humano.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Seg Jun 06, 2016 5:16 am

Jocelyn é uma força sobrenatural da natureza. Sabia que não devia ter saído do quarto de hotel. Aliás, fora estritamente proibida por si mesma. Contudo, estava tão entediada mesmo na companhia de um videogame alugado que resolvera respirar novos ares. Ou antigos, por assim dizer. Aquela restrita enseada pertencia ao seu âmago, onde costumava refletir literalmente consigo em momentos de tensão. Observava seu reflexo, critica com seu temperamento explosivo que fazia perder o controle exclusivamente de suas habilidades assim como de sua vida social. Antes de sua breve estadia no Instituto Hopenz, fora uma adolescente insegura de seu futuro. Recordou do quanto se sentiu desolada com a descoberta de seu poder, da qual impedia o toque alheio por suas mãos serem tomadas por um brilho aparentemente bonito, mas mortal. Os olhos anteriormente azuis também ganharam a coloração radiante, arroxeada e rosada, sem nunca definir seu tom traiçoeiro. Era atrativo como os olhos de uma fera ou atraente como o mar revolto.  A jovem Jocelyn não poderia aturar tamanho peso em seus ombros, arduamente se tornou uma tarefa que o controlasse — antes de consequências incondicionais destruíssem seu sacrifício de reclusão. Preferira se tornar uma andarilha a ferir aqueles que realmente lhe importam. Como suas amigas.

Suspirou. Com as pernas submersas nas águas cristalinas igualmente ocorria com as palmas de suas mãos, em um brilho arroxeado do qual poderia esconder caso alguém chegasse. Estritamente sabia que naquele horário ninguém a incomodaria. Todos estavam voltando de seus trabalhos e colégios, prontos para jantarem em uma grande mesa com suas famílias. Sentia falta de sua família. Ainda que não fossem capazes de compreendê-la. Enviaram-na no Instituto com o intuito de mantê-la com seus iguais, ela sabia, pela maneira que a olharam. Uma aberração, uma aberração da qual queriam distância.

Merda...! — Quase berrou, mordendo a língua entre os dentes. No momento ligeiro e raivoso, lançara uma das bolas de baseball que mantinha consigo em direção a mata que jazia atrás do lago. Arrependeu-se no instante seguinte. Sabia que não deveria ter manipulado a energia para que eclodisse, mas queimava como o próprio fogo. E se...? E se tivesse ferido alguém. Quase que instintivamente ouvira alguma reclamação vinda da vegetação. Disparou, disparou como se a sua vida dependesse disso. Se fosse um humano claramente não sentiria o peso, mas o sentimento seria igual pelo fato de ter que deixar a cidade para evitar algazarra. Não era um choro, e sim um simples ruído de surpresa alto suficiente para que ouvisse.

O garoto era bem mais novo que ela. Um gato também. Quê? Balançou a cabeça negativamente e se aproximou: — Você... Machucou-se? — Questionou contra sua vontade, mirando a bola de baseball ainda fumegava aos pés do menino, como se fosse restar cinzas de sua existência se fosse tocada por uma brisa repentina.  Percebeu que o olhar do menino não estava em seu rosto e sim em suas mãos que ainda brilhavam, arroxeadas e rosadas, tremeluziam. Com seus trejeitos contidos, fez um rápido gesto com as mãos para escondê-las atrás de suas costas, apertando uma a outra. Não conseguia falar, nem se mover e tampouco se afastar. O silêncio reinou e a tensão era tão grande que não se surpreenderia se entrasse em combustão.
i'm fuck*ing kick-ass



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Seg Jun 06, 2016 5:43 am

Sugar Baby

Na maior parte do tempo, Ajax se sentia um monstro. Cacete, foi criado para se sentir um, com a humilhação diária reforçada cada vez que falhava em cumprir um de seus objetivos. Por mais que a sensação de culpa, remorso e ódio de si mesmo tenha lhe acompanhado nos primeiros anos desde que se separou da irmã, acabou se acostumando a tal ponto que, quando sua alma resfriara e se tornou nada mais que um soldado a espera de ordens, agarrou-se ao sentimento, na esperança que a depressão e ansiedade o tornassem mais humano.

Só que, naquele momento, com a garota estranha o encarando de cima, a sensação de ser uma aberração não parecia algo ruim — não totalmente. Era quase como... familiaridade. Algo para se compartilhar com alguém já que, de todas as pessoas que conheceu na prisão, pelo menos noventa e nove porcento delas eram assustadas demais para sequer tentarem conversar entre si — ao passo de que Ajax somente endurecia e perdia sua humanidade dia após dia.

O menino não sabia dizer se a afinidade que sentia pela loira era porque de alguma forma, no fundo da sua mente, ainda sabia qual era a sensação de ter alguém como um igual perto de si; ou se simplesmente achou a mulher engraçada. Só sabia que o sentimento estava lá e, internamente, admitia que estava aliviado em saber que ainda tinha um pouco de humanidade dentro de si. Abriu um sorriso torto por meros segundos depois de chutar a bola chamuscada para longe, voltando sua atenção para a estranha.

— Estou bem. — Limitou-se a dizer, ajeitando a alça da mochila no ombro direito. Parando para pensar, não sabia de onde a mulher havia vindo, então deu um passo para trás, desconfiado como sempre. Sentiu o estômago embrulhar, as lembranças da prisão voltando ao centro de sua memória: como fora torturado a cada falha em seu treinamento, cada pedacinho de sua mente abusado e invadido das mais cruéis e diferentes formas.

Pensando melhor, a moça que deveria ter medo dele.

E teria seguido tal linha de pensamento se não tivesse visto as mãos dela, e sua desconfiança intensificou-se; mas a afinidade foi mais alta: não passou despercebido por Ajax como a loira foi rápida em escolher a singularidade que ocorria em seus membros, e aquilo fez algo dentro do menino — algo humano — amolecer-se. Ela é outro monstro também. Mas balançou a cabeça, afastando a palavra de sua mente. Por mais que estivesse acostumado a assumir o pior de si mesmo, não poderia chamar as pessoas de certos nomes.

— Ei, não. — Impediu-se de dar um passo para frente, segurando as mãos rentes ao corpo para que não fizesse nenhuma bobagem ou vergonha. — Espera-olha, tá tudo bem. — E num estalo, seguiu a primeira ideia que lhe veio a mente: criou um pequeno campo gravitacional ao redor da moça, criando uma força anti gravidade que a fez flutuar alguns centímetros do chão antes de bater os pés na terra com um baque surdo.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Seg Jun 06, 2016 10:22 pm

Merda. Droga. Puta. Puta merda que droga! Xingava a si mesma em pensamento sem seguir essa ordem, furiosa por ter sido tão descuidada e temperamental. Arrependia-se de ter saído de seu quarto de hotel onde a única pessoa que pudera lhe causar alguma raiva era o chefão da fase em Devil May Cry, especificamente a DMC. Começou a adorar a saga de jogos quando conheceu Mäera e seu mimetismo que era tão similar ao protagonista. Tentara convencê-la inúmeras vezes de lhe fazer uma visita para passarem a tarde inteira se entupindo de guloseimas e videogame, mas a loira preferia estudar naquela prisão de mutantes. Joy não se arrependia de ter deixado o Instituto, mesmo que tivesse de deixar sua família de amigas pra trás. Não permitiria que a controlassem e muito menos ditassem quais ideais seguir. Era um espírito livre, que independente dos perigos que viria a enfrentar, são necessários para seu aprendizado. Ainda, de fato, não dominava seus poderes, mas aprenderia sozinha. Como uma mulher independente que é. Um tanto irresponsável e imatura, mas ainda sim independente. E como ainda não morreu então superficialmente é responsável — mas que consequentemente deixa um rasto de destruição no caminho que trilha.

Ardilosa, mantinha parte de sua atenção concentrada em sua companhia anteriormente indesejável. Era um menino, quer dizer, uma criança. Quase um adolescente. Os olhos são azuis e cristalinos como a enseada que jazia poucos metros de onde se encontravam. A pele dele é alva, como se nunca tivesse pegado um bronzeado. Os cabelos escuros e compridos lhe dão certo chame, desgrenhados e caindo sobre seus olhos que a miravam. Jocelyn perdeu-se por um instante no sorriso que se sustentou brevemente nos lábios alheios. Ele estava tentando ser gentil, ela sabia disso. Conhecia aquele sorriso como ninguém. Era sozinho e sem dúvida alguma, incompreendido. As vestes eram gastas e arrisca-se em chama-las de maltrapilhas, como se já tivessem passado por poucas e boas. A americana-irlandesa já estivera inúmeras vezes naquela situação. Na beirada da estrada, com um dos braços estendido a procura de alguma alma bondosa que pudesse lhe conceder uma carona e um copo d’água. As situações foram inúmeras desde que decidiu se aventurar nesse mundo transitando de cidade para outra, de estado e país. Visitara desde sua terra natal à sua residência, só para ver o quão sua família estava feliz sem ela.  O nervosismo retomou-a quando o estranho chutou a bola para longe e Joy viu-a desmoronar em cinzas antes de bater contra um troco seco.

As unhas arranhavam a outra palma e sentia que as chamas arroxeadas não abandonavam suas mãos, quase chamuscando suas roupas. A resposta dele tardou para vir, mas Joy não respondeu, apenas inclinou a cabeça para o lado para vê-lo melhor. Admirava as inúmeras expressões que se passaram no rosto alheio, desde desconfiança a misericórdia. Não costumava ler as pessoas dessa forma, mas se assemelhavam tanto que era quase impossível ignorar a sincronia de seus atos. Voltou a esconder suas mãos com mais precisão quando percebeu que ele as olhava com certo interesse, mas sem temê-las. Como se fosse nada incomum que ela fosse desse jeito. — Ham... — Ainda não sabia como reagir. Ele estava tentando... Acalmá-la? É óbvio que estava. Estava ciente do que a estranha desastrada poderia fazer. Defronte continuou, acompanhado cada ação que executava o moreno.

O quê? O quê..? — Mal conseguiu formular a frase quando viu as mãos deles se movendo em sua direção e um tipo de esfera leitosa e densa envolvendo-a. Por um momento entrou em pânico. Aquele desconhecido era como ela, uma aberração mutante! Não escondeu a surpresa, muito menos o quanto estava desconfortável com aquela situação. Quando finalmente se deu conta que não estava morrendo ou se machucando, seus pés que anteriormente flutuavam voltaram à superfície. Sua cabeça girou, como se tivesse recebido informação demais. — Não se aproxime...! — Mandou, recuperando o fôlego. A mão que se estendia ao estranho brilhava, purpura e rosada. A energia expelia, queria se aproximar da outra temperatura presente, de seus minuciosos movimentos que a alimentava. Por isso nunca precisava de recarga. A energia cinética nada mais é do que o proporcional de massa e velocidade em movimento. Recolheu-a, pousando ambos indicadores em suas têmporas. — Não fomos apresentados. — Arqueou uma de suas sobrancelhas, enfim cruzando os braços abaixo de seus seios e com uma postura autoritária tomando seus membros. Se ele achava que ela se apresentaria primeiro, estava enganado. Por mais que quase tivesse tirado sua vida, não daria ousadia a um estranho.

i'm fuck*ing kick-ass



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Ter Jun 07, 2016 2:47 am

Sugar Baby

Por mais humano que Ajax se sentisse naquele momento — e ele tinha que admitir que a sensação era quase nojenta —, a desconfiança ameaçou tomar conta novamente quando a moça demonstrou certa perda de controle sobre seu poder. Seus instintos lhe diziam para correr em qualquer direção o mais longe que pudesse, mas ficou, por nada mais que puríssima curiosidade. Em toda sua vida, os únicos outros monstros que encontrou foi sua irmã, que usava a habilidade dela para conseguir alimento para os dois, e os mutantes assustados da prisão. Era no mínimo interessante saber como outros indivíduos se comportavam fora dessas dois padrões.

A experiência também serviria para medir quais eram os riscos do mundo exterior. Quem eram as aberrações fora dos portões da prisão? Quais eram suas habilidades? Aos ouvidos de Ajax, chegaram boatos de mutantes com três, quatro habilidades e, em alguns casos, todas muito bem desenvolvidas. Precisava começar suas estatísticas e dados; quais eram as chances de encontrar algum poderoso? Ou seja, precisava manter-se no lugar se quisesse garantir sua sobrevivência até que encontrasse sua irmã — e de bônus, a moça com quem conversava não parecia ser alguém que o atacaria.

De fato, a loira era, aos olhos do menino, bem similar a ele. Parecia ser do tipo que vaga por aí, irrestringível a um padrão de códigos ou ordens — no entanto, se ela tinha algum objetivo como ele, já era difícil dizer por uma análise quase que puramente visual. E ainda que o episódio com o brilho tenha deixado Ajax em estado de alerta, não via porque não insistir mais um pouco. Além de números e estatísticas, precisava saber se ainda era humano. Se ainda tinha capacidade de sentir alguma coisa ou se havia virado uma criatura cruel e sem coração como seus captores e torturadores durante a infância.

— Eu sou... — Hesitou. Desde que consegue se lembrar (salvo flashes de memória sobre a vida antes da prisão que acontecem durante sonhos, às vezes), seu nome foi Ajax. Ajax Rouxwell Charpentier, de identidade e passaporte franceses, embora a língua soasse falsa ao falá-la, mesmo que de forma fluente. Durante seus flashes, quase conseguia ouvir outro nome, porém, ele soava falso. Como uma vida que passara, incapaz de ser recuperada. — Sou Ajax. Jax. — E agarrou-se ao que lhe restava: a identidade falsa a qual, no entanto, era que mais se encaixava.

Ajax, o soldado. Ajax, o cruel. Ajax, o monstro sem sentimentos.

Ajax, o sobrevivente.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Qui Jun 09, 2016 9:36 pm

Ele não é inimigo, mas poderia ser — em outro contexto. Era como olhar em um espelho, talvez um espelho denso e complexo, mas ainda um espelho. Aquele seria seu reflexo se não tivesse tomado as atitudes que tomou? Ainda mais se tivesse desistido da companhia de suas preciosas amigas e conhecidos? Deveria retomar a indesejada família? Eram estes e outros questionamentos que a faziam repelir qualquer conclusão em relação a sua companhia, mas sabia que havia algo a mais. As pessoas tem sempre algo a mais — mas sentia algo diferente nele, como o vapor que nublava o espelho. Distante. Essa é a palavra certa. Manteve sua expressão incólume, com seus braços fixados abaixo de seus bustos e uma de suas pernas aturando seu peso. Estava decidida em sair dali com respostas e não uma carteira de poucas notas. De fato essa não é a Joy aventureira que viaja mundo afora graças aos seus dedos leves e a habilidade destrutiva e manipulativa. Não confiava nas pessoas e tampouco se importa com elas. Nem mesmo é capaz de se sentir na mesma página de um livro com suas amigas, não pensa na hora de dizer adeus e seguir um novo rumo. É incapaz de se prender. É um espirito livre, acredita.

O farfalhar da voz do menino prendeu sua atenção como antes, retomando sua consciência para o fato de não se sentir confortável ou seu hesitar. Para ela eram longos minutos que se arrastaram ao tentar ler a expressão alheia e concluir que é péssima em exercer tal ato. Uma pacóvia quando se trata de lidar com os sentimentos das pessoas e quem dirá de desconhecidos. Sentia falta da vida comum que levava distante de sua realidade cruel. Como poderia culpá-lo? Passara os últimos anos mentindo, omitindo e enganando para sobreviver. A criatura anteriormente inócua começou a preocupa-la, visto como o clima leve se dissipara com seu questionamento pateticamente comum. A neblina tomava a ambos, em suas mentes naturalmente traiçoeiras. Em um movimento parco, suas mãos brilhavam um pouco mais do que antes.

Ajax? É um nome legal. — Disse por fim, arregalando os olhos anteriormente semicerrados. Mordeu o lábio inferior em seguida, como se tivesse exagerado demais em sua reação. Suavizou seus punhos e uma de suas mãos que ainda brilhavam no mesmo tom roxo-rosa começara a brincar com a mecha mais longa que tomava suas costas. Comprimiu o instinto de simplesmente mentir para o não tão estranho Ajax, com um sorriso diminuto tomando seus lábios matreiros. — Prazer, Joy. — Estendeu a mão por um instante, mas logo a abaixou, recolhendo-a para ficar atrás de suas costas posteriormente. — Apenas Joy. — Completou por fim, detestando descomunalmente quem ousasse chama-la pelo seu verdadeiro nome. Recordá-la de seu antigo nome era a mesma coisa que empurrar a cadeira da qual evitava o suicida de ter seu pescoço quebrado pela corda que o contornava. O seu apelido possui inúmeras origens, mas para ela especialmente a banda pós-punk dos anos setenta nomeada de Joy Division. Ainda que aparente ser moderna, ama a cultura pertencente as décadas passadas. O modernismo a irrita, como uma alergia.

Pigarreou, desejando que toda a atenção fosse voltada as suas palavras. Estava elétrica e curiosa. — Agora vem cá... Que diabos de poder é esse? — Perguntou, arqueando uma de suas sobrancelhas, mas com seus traços descontraídos. Como se fossem velhos amigos — não que ela entendesse tamanho significado. Colocou seu indicador sobre o queixo, tombou sua cabeça para o lado oposto em uma expressão pensativa. Seus olhos se arregalaram novamente, como se tivesse tido uma revelação. Uma óbvia revelação. — Você não me parece pertencer ao Instituto Hopenz... É um andarilho. Como eu.Bela observação, Joy. Quer um prêmio por exorbitante astúcia? Deu alguns passos para frente, como se o analisasse melhor. Seu corpo se inclinou em direção a ele e suas mãos pousaram em seu quadril. O cheiro de queimado tardou para que preenchesse as suas narinas. — Cacete! — Afastou as mãos e fechou os olhos, concentrando-se o máximo que podia em seus pensamentos para que afastasse aquele brilho mortal de suas mãos. Normalmente ele não é quente, só quando está prestes a entrar em combustão. O mesmo só não ocorreu porque é imune ao próprio poder, assim como Barbara não se deixaria ser queimada. — Diferente de você, não consigo desligar essa “coisa” quando eu quero. — Proferia cada palavra com lentidão, suspirando audivelmente quando se deparou com suas mãos ainda brilhando.
i'm fuck*ing kick-ass



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Sex Jun 10, 2016 4:28 am

Sugar Baby

A cada minuto que se passava, Joy — como a mulher se apresentara, embora não soasse como um nome, e mais um apelido — se provava cada vez mais diferente do que Ajax esperava do mundo. E algo lhe dizia que ela seria única dentre todas as experiências que vivenciou em seus 14 anos, e mais nas que viriam se tivesse a sorte de sobreviver por mais tempo. Embora o poder da loira fizesse a mente do menino entrar em alerta, seu jeito descontraído e leve convenciam o menino. A cada palavra, cada gesto, um novo neurônio começava a trabalhar a toda força e energia, motivados pela curiosidade, fascinação.

Quando, mais tarde, fosse repensar sobre o dia e revisar seus acontecimentos, chegariam à conclusão do quão idiota e infantil agira diante de Joy. E era uma criança, mas uma tão envelhecida que poderia ter trinta anos, e sua mentalidade seria a mesma. Porém poderia se culpar? Passou metade da vida de forma pobre, senão miserável; e a outra, preso, sem saber nada do mundo além de que a cada dia mais mutantes eram descobertos. Para Ajax, alguém como Joy era quase uma anomalia, uma singularidade em seu universo.

"Um nome legal." Sentiu-se triste ao ouvir a fala de Joy. Era um nome muito legal, claro, mas era seu? Sabia das práticas da organização: reutilizavam dos nomes de seus mortos. Ajax não sabia a quem seu nome pertencia porque, da única vez que tomou coragem para tentar invadir da sala de dados, sofreu na solitária por três dias sem comida. Mas se prometeu que descobriria e ofereceria seus respeitos — sentia-se obrigado. A identidade não era sua, roubara-a e não tinha o mínimo direito de mantê-la. Contudo, era a única que conhecia, a única que parecia mais verdadeira em meio a sua confusão mental.

Só que isso teria que ficar para depois. Fora feito um soldado e, por mais que não seja algo para se orgulhar, o "treinamento" veio com suas vantagens e uma delas era a objetividade. Sentia-se obrigado a prestar seus respeitos ao dono de seu nome, mas isso teria que ficar para depois: sua prioridade era achar sua irmã.

E, antes disso, lidar com Joy. Tinha a sensação de que seria divertido.

— Gravitocinese. — Respondeu, com simplicidade. Se ela também era uma aberração, e ele já havia mostrado sua habilidade, um nome não faria diferença.

Joy o pegou desprevenido com a constatação. Era assim tão óbvio seu estado de desabrigado e morador de rua? E Instituto...?

— Bem, sim. — E a resposta sai um pouco engasgada, quase desconfiada. Mas resolveu continuar: — Você nunca procurou ajuda com esse negócio? — Perguntou, se referindo às mãos de Joy, que se encontravam com um brilho estranho. — Deve ser difícil viver sem poder controlar o que te faz uma aberração. — Sussurrou, tão baixo que não sabia se ele mesmo havia ouvido.

Preferia não saber controlar esta maldição do que ter aprendido ao preço que paguei, adicionou mentalmente, distraído consigo mesmo.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Sab Jun 18, 2016 10:27 pm

Enfadonha, não demonstrou surpresas quanto à normalidade que emanava do rapaz. Não que beirasse ao comum, mas o clima tenso que permanecera desde o primeiro instante do encontro dos dois se dissipara. Poderiam não agir como velhos amigos, mas o receio de um ataque direto se fora. Ambos sabiam do que eram capazes de fazer, mas não suas limitações. Já era um começo. Arqueou uma de suas sobrancelhas grossas diante do nome pomposo que Ajax dera ao seu poder. Joy nunca passou para pensar no assunto, mas de acordo com que fora informado a ela quando esteve presente no Insituto Hopenz, fora que conseguia controlar a energia cinética a seu favor — salientando o fato que seria necessário um treinamento árduo. Basicamente, o não tão estranho conseguia controlar a gravidade. Interessante para um astronauta. Quando o assunto retomou a si, Joy recolheu as mãos, cerrando-as em punhos quando o garoto indicou-as. Mordeu o lábio inferior, ponderando sobre o assunto. De quem teria ajuda? De um bando de mutantes que não fazem a menor ideia de como usar seus poderes dentro de uma sala de contenção simulando batalhas? Não, grata.

Já. — Respondeu simplesmente, sem se deixar demorar no assunto. Seu tom de voz era vazio, mas poderia localizar confusão em seu timbre. — Eu, meio que, controlo. — Rebateu, chamando a atenção do moreno para si. Suas mãos, ironicamente, ganharam um brilho mais forte. — Contando o fato que não te explodi. — Seus lábios se inclinaram em um sorriso mínimo e suas mãos pararam de brilhar no mesmo momento com a leveza de seus pensamentos.  Semicerrou os olhos e voltou a encarar os olhos azuis da criança diante de si.

Recordava-se que devia ter quase a mesma idade quando fora encaminhada para o Hopenz, desolada por ter sido abandonada pela própria família em um Instituto cheio de aberrações. O fato é que realmente é mais uma delas, mas que não permitiria ser rebaixada em uma sociedade onde quem reina é a ignorância. Não culpava os humanos em sentir medo do que desconheciam, mas exterminar era uma ação radical demais. Joy poderia agir como uma idiota às vezes, mas sabia exatamente o que se passava na mente dos humanos quando recebiam a notícia de algum acidente relacionado a mutantes. Como se fossem culpados por serem o que são. — Acontece com a maioria. — Interrompeu o silêncio que havia se formado em meio à reflexão que tomou a ambos. A meio irlandesa não o julgava por se culpar. É claro que tiveram cometidos inúmeros erros pela sua falta de controle, além de que preferiram prosseguir sua jornada sem ajuda. Egoísta, mas preciso. — Ei, não precisa se culpar por isso. Eles não entendem. Não entendem o quão difícil é para nós. — Continuou, gesticulando com a mão em direção ao mesmo e se dando em conta que suas mãos brilhavam novamente, uma iluminação fraca em comparação a outra, mas ainda sim quente.

Deveria ganhar um prêmio de melhor consoladora também. Bufou audivelmente, sentando-se em um tronco que fora devidamente colocado aqui como meio de descanso. Não era tão confortável quanto sua cama no hotel, mas já era alguma coisa. Estava cansada e faminta. Assim como o menino também deveria estar. — Um momento. — Mostrou o indicador antes de voltar à margem de onde estivera, onde trouxera uma mochila com água e comida. Havia mais, muito mais, itens distintos e necessários em sua cabeça confusa. Abriu a mochila com delicadeza, evitando tocá-la por tempo demais pela maneira que suas bordas queimavam em contato com as suas mãos. — Isso sempre acontece. — Comentou com um sorriso cínico, visto que sua mochila quase entrara em combustão pela quantidade de calor que emanava de suas palmas. Bateu-a contra a superfície terrosa algumas vezes antes que o fogo apagasse. — Prontinho. — Pousou-a no chão ao seu lado e antes de seu teatro ridículo de como não encostar-se a sua mochila quando suas mãos pegam fogo, tivera salvo a garrafa d'água ao tocar em sua tampa e algumas barras de cereais. Ofereceu sem tocá-las, esperando que ele se acomodasse ao seu lado. — Aposto que está com fome. Tome. — Normalmente não seria tão gentil com estranhos, mas se sentia em sintonia suficiente com Ajax para não ser rude.
i'm fuck*ing kick-ass



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Ter Jun 21, 2016 1:00 am

Sugar Baby

Ajax conseguia sentir o tom de consolo na voz de Joy, e se odiou por isso. Não deveria ser consolado. Deveria ser um soldado racional e ocado em seus objetivos. Por um lado, aquilo mostrava que aparentava humanidade a quem estivesse por perto. Só que ele não precisava de humanidade para completar seu objetivo — e sim de uma boa história que lhe desse alguma pista fresca sobre o paradeiro de Barbara.

Cerrou as mãos em punho, mas logo relaxou-as. Não havia porque ficar com raiva. Era uma criança, precisava se lembrar disso. O fato de não ser mais velho que 14 anos já inspirava um certo sentimento de nas pessoas e sabia disso. Era assim que deveria pensar, e não como algum adolescente clichê tentando se convencer do quão amarga e ruim a vida era com tudo e todos.

Engoliu em seco. Era uma criança, mas uma criança não deveria pensar deste jeito. Mas, será que se eu pensasse como uma, seria capaz de achar Barbara?

— Não precisa ficar com pena. — Respondeu com simplicidade, ajeitando a mochila nos ombros. Coçou os cabelos antes de encarar a loira nos olhos, procurando quaisquer sinais de pena, dor, vontade de ajudar. — Olha, eu tenho vivido assim há bastante tempo já. Não é como se eu não estivesse acostumado.

E ele sobreviveu às consequências de tal intolerância. Eletrochoque, tortura física, psicológica, o lento apagar de sua memória até que não soubesse mais o próprio humano. Ainda sim, não alimentava ódio pelos humanos. Nenhum. Mas esperava que fosse deixado em paz e que nunca mais mexessem consigo; foi prometido isso. Nzinga o prometeu, embora o menino não soubesse mais dizer se foi em um sonho ou real, quando escapou de sua prisão.

Mas foi-lhe prometido que deixariam-no em paz. Que entenderiam que era apenas uma criança e que não tinha culpa de nada. Muito pelo contrário, ele era uma vítima do mundo.

Abriu um meio sorriso ao observar Joy tentar abrir a mochila sem queimá-la, mas o humor havia sido arruinado. Estava triste, melancólico. Algo sombrio instalado em sua alma, e se agarrou com todas às forças àquela coisa ruim e que, contudo, fariam-no humano. Precisavam fazê-lo humano porque um monstro nunca seria capaz de sentir culpa, remorso, arrependimento.

Não é?

— Não estou com fome nem sede, obrigado. — Sentou no chão, de frente para Joy, o rosto virado para o lado enquanto observava as nuvens ao horizonte. Queria saber quando choveria porque, de todas as coisas neste mundo, a água que cai dos céus é a única que faz com que tenha certeza de sua humanidade.

É a única coisa que lhe faz ter certeza de que para criaturas como ele, ainda há alguma esperança.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Joy Kronwech Yixle em Dom Jun 26, 2016 9:38 pm

Disciplinado. Quase intangível. A meia-irlandesa não compreendia como pudera estar presente de alguém que conseguia controlar tão bem suas emoções como agora. Sempre na defensiva, nunca entregando mais do o suficiente, necessário. As camadas inalienáveis ainda a impediam de saber a escala de seu sofrimento, também se ainda existia algum. Ele comprimia suas emoções e às vezes a entregavam para mostrar a si mesmo que ainda existiam. Como se tivesse que demonstrar o tempo todo que ainda é humano. Desviava seus olhos com urgência das orbes azuladas do outro, evitando que ele percebesse o quão estava absorta e interessada encontrava-se ao tentar desvendá-lo. Como um quebra-cabeça humano. Divagou em sua mente à procura de qualquer pessoa que tenha conhecido e se interessado dessa maneira. Não havia. Não com nessa escala que há pouco tempo desconhecia. Preocupava-se com ele. Já. Assim tão simultaneamente. Calculava seus trejeitos e suas palavras antes de dirigir-se a ele, ainda que manter seu poder em seu controle ocupasse a maior parte de seu tempo.

Seus olhos ocuparam-se com as cercanias, preocupada com alguma aproximação inesperada. Tanto humana quanto mutante. Não quisera estar livre daquele momento com o menino de índole enfronhada. Permaneceu com seu exterior fleumático com o negar de Ajax diante de seus esforços inúteis de ajuda-lo de alguma maneira. Percebeu enfim que sua incitante calmaria tivera efeitos notáveis em seu poder. As mãos que anteriormente rutilavam atualmente permaneciam livres do brilho mortal do qual convive. Pegou uma mecha de seu cabelo que insistia em cair sobre sua visão e a colocou delicadamente atrás da sua orelha para não provocar mais uma onda de descontrole. Mirou no rosto virado de sua companhia, que encarava os céus tomados por nuvens pesadas e cinzas, que outrora invadira um belo dia que se iniciara ensolarado pela manhã. Uma luz forte e embranquecida tomou sua visão por um instante. Um relâmpago.

Um ruído forte preencheu ambos os ouvidos logo em seguida. Uma trovoada. — Precisamos encontrar um abrigo... Á menos que queira tomar um banho de chuva. — Olhou para ele mais uma vez, durando um instante enquanto os cantos de seus lábios se inclinavam em direção ao céu. Um sorriso terno, sincero e com um vestígio de uma felicidade crente de sua inexistência. Guardou a garrafada d’água e pegou uma das barras de cereais antes de guardar o restante, deixando-a em seu bolso para mais tarde. Memorizou aquele momento. Aquele exato momento que emanava uma tranquilidade latente, acima de tudo. Estavam submersos em seus próprios pensamentos, em seus momentos e em suas angústias. Apesar da conexão. Fechou suas pupilas, com seus trejeitos centrados na serenidade eminente. A brisa fria batia contra o seu rosto e balançava suas madeixas douradas, consequentemente arrepiando os pelos aparentes de seu corpo. Não trouxera um casaco, estava com uma camisa e um short apesar do tempo. O clima poderia não ser quente, mas algo em seu âmago a aquecia. Quando abriu os olhos não se preocupou em ter a ciência da presença de Ajax, preferia senti-lo por energia. Ah sim ela sentia.

Continuou em sua interrupta inação que se estendeu até a primeira gotícula de chuva que pousou no centro de sua testa. As próximas gotas não tardaram para cair, ela continuou sentada e estendeu os braços para a água que tomava seu corpo com lentidão e encharcava suas vestes que começavam a grudar em seu corpo. — Faz tanto tempo... — Comentou passageiramente, recordando-se do quanto adorava tomar banho de chuva quando não passava de uma criança. Quando seus poderes ainda não existiam, ou ao menos não se manifestaram. Sua mãe berrava na soleira da porta para que ela voltasse, mas Joy insistia em continuar debaixo da chuva até que ela se dissipasse ou quando os espirros a tomassem. Não se preocupava com o fato de que ficaria resfriada depois, quando chovesse ela o faria de novo. Só por gostar. — Ajax? — Chamou-o, para ter certeza de que ele ainda estava ali.
i'm fuck*ing kick-ass



—  M Y F I R E W O R K S I N Y O U .


Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Troye Bjørhmädev Rænt em Seg Jun 27, 2016 12:20 am

Sugar Baby

A vida tem sido difícil para um menino de catorze anos.

Uma frase que constantemente povoava seus pensamentos. A vida em sido difícil. Não só para adolescentes de 14 anos, talvez. Tem memórias da sua época pré-treinamento na prisão. Crianças, adultos. Pessoas de todas as idades sendo espancadas sob a justificativa de que aquilo somente visava seu próprio bem. A vida tem sido difícil. Não só para ele. E sua irmã? Barbara, aparentemente. O que havia acontecido com ela?

Olhou para Joy. A vida em sido difícil. Se imaginou na situação dela, o pouco que conseguia visualizar. Começou com o simples: o poder dela. Agora, suas mãos estavam apagadas, normais, só que Ajax sabia que não era sempre assim. E quando o poder saía do controle? Quando não era possível fazer com que o brilho apagasse? Imaginou o que aconteceu quando a família da garota descobriu. Pelo discurso de Joy, não foi uma reação boa — ninguém fala com tana propriedade sobre um assunto como esse sem ter sentido a dor do preconceito na pele.

Pela primeira vez em anos, sentiu vontade de chorar. Não por sua dor, não por sentir falta de sua irmã, não por Nzinga, ainda presa na prisão. Quis chorar pela situação imaginária em sua mente. Como uma pessoa acostumada ao amor e compreensão lidaria com uma rejeição tão grande como a sofrida por maior parte dos mutantes? Ajax cresceu sendo castigado por ter nascido do jeito que nasceu — seu poder se manifestou quando era tão pequeno, apenas uma criança, um órfão. Quem teve que esperar uma década? Catorze anos? Vinte?

Como sobreviver ao abandono de sua família?

Ajax?

Distante, tão distante, ouviu seu nome ser chamado, arrancando-lhe de seus próprios pensamentos. Há quanto tempo não ficava tão profundamente emerso em sua própria mente? Nunca. Uma meia verdade, um talvez muito grande para considerar. Mas sabia que deveria fazer muito tempo desde a última vez. Sentiu o coração apertar no peito, lutando contra as lágrimas. Aquela era a segunda vez que sentia esse impulso quase doloroso demais em chorar, gritar. Segunda vez desde a prisão. Estava ficando humano. Sabia disso. Sabia que deveria deixar suas emoções — ou protótipos de sentimentos humanos normais — correram livres, mas não podia.

Tinha que ser humano, mas não podia se entregar completamente agora. Ainda precisava da sua racionalidade, do seu treinamento como soldado. Por Barbara. Sempre por ela. Sempre se movendo pela irmã.

— Eu sei. Desculpa se saí do ar. — Falou, baixo, puxando a mochila para perto de si e colocando o capuz da jaqueta sobre a cabeça. — Onde você acha que podemos encontrar abrigo?

Levantou-se, batendo na calça jeans para tirar a terra que grudara no tecido. As gotas de chuva já mostravam sinais de que encharcariam tudo o que tocassem. Só tinha mais uma muda de roupa, e precisava economizar.

Mas quando sentiu a torrente de água nas suas mãos, no seu rosto, sentiu-se vivo. Sentiu humano, uma pessoa de verdade e não simplesmente um soldado treinado como máquina de guerra. Lutou contra o sorriso que queria despontar em seus lábios, mas não conseguiu evitá-lo em 100%. Abaixou o rosto, dando o mais discreto curvar de lábios que conseguiu, e ajeitou a mochila nos ombros.

Era humano.

Sentia-se humano.


i'm not what they think i am
i'm just another monster, too





Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: [RP FECHADA] cause & effect

Mensagem por Conteúdo patrocinado

Conteúdo patrocinado

Voltar ao Topo Ir em baixo

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo


Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum